Tomar banho com uma única mão é difícil. Complicado é vestir-se da mesma maneira, principalmente, sendo mulher. Mas com uma dose cavalar de TDMP – Tempo, Determinação e Muita Paciência – Scully conseguiu tal feito, o que faltava agora é a troca do curativo, contudo, precisaria da ajuda de um certo alguém.
- Mulder, pode me ajudar agora! – disse num tom alto, em direção ao 15B.
Ao colocar todo o material necessário em cima da cama, percebeu que o tempo estava muito silencioso, até o vento parecia ter parado de soprar lá fora e Mulder, não havia respondido. Tudo parado demais.
- Mulder? – perguntou um pouco mais alto do que a vez anterior.
Novamente nada.
Devagar, Scully foi à escrivaninha, pegou sua arma e destravou-a.
PAH! PAH!
- Quem é? – ousou perguntar, mesmo sabendo que dificilmente teria uma resposta.
Duas batidas violentas foram escutadas, alguém estava com pressa para entrar, mas quem seria? Depois do roubo, Scully estava pensando em tudo. Com a arma em punho, foi à porta e com cuidado virou a chave. Afastou-se cinco passos. Fosse quem fosse, precisando, não hesitaria em atirar. A pessoa que estava do outro lado continuava quieta, o que fazia a pulsação de Scully acelerar violentamente.
Após uns segundos de espera, o trinco começou a mexer-se fazendo Scully ficar em alerta e pronta para qualquer coisa. Num movimento brusco a porta é aperta.
- Você não atiraria numa pessoa desarmada, atiraria Scully? – Disse a pessoa com as mãos para cima ao ver a arma.
-Droga Mulder! – resmungou abaixando o braço – Por que não disse que era você? Podia ter levado um tiro.
- E perder essa tua cara de pânico? Jamais – retrucou fechando a porta, visivelmente se divertindo com aquela situação.
- Foi ao shopping? – perguntou curiosa, ao ver uma enorme sacola nas mãos dele.
- Você demorou tanto que resolvi sir e investigar um pouco.
- Na loja de souvenir? – acrescentou olhando para o desenho de disco voador da sacola.
Ela ri um pouco sem graça.
- Com o roubo dos laudos, temos que investigar sem alarde. E ao fazer perguntas, tive que comprar umas coisinhas, como qualquer turista. E não precisa olhar desse jeito, trouxe uma coisinha para você.
- Estou eufórica. – falou sem emoção – E aí, vai me ajudar com o curativo?
- É para isso que estou aqui.
Mulder deixou a sacola ao pé da escrivaninha e foi ao banheiro lavar as mãos, quando saiu, sentou com cuidado na cama para não derramar a bacia que estava entre ambos. Scully entregou o par de luvas.
- Para quê isso? – perguntou colocando as luvas.
- Tirar a bandagem antiga.- respondeu enfiando a mão no líquido que havia na bacia – Já cortei o esparadrapo, usa a pinça para tirar ele e a gaze.
- Esterilizou?
- Claro.
Ao começar a tirar o esparadrapo, Mulder percebeu que tinha algumas partes que não queriam ser soltas, com a tesoura cortou com cuidado a gaze e quando usou a pinça para tirar, fez uma careta. A camada superficial da parte superior da mão de Scully havia saído completamente, estava avermelhada e tinha algumas bolhas.
- Scully...
- É queimadura de segundo grau, o que esperava?
- Dói?
- Tomei analgésico. No máximo que sinto é um formigamento e latejar.
Seguindo a risca as instruções da amiga, Mulder passou na uma camada do creme Sulfamylon e cobriu com gaze num curativo novinho.
- Melhor do que o meu. – elogiou Scully, enquanto ele foi jogar fora os restos do curativo antigo. Guardando numa bolsinha as demais coisas, continuou – Nunca pensou em seguir carreira de médico?
Ele riu
- Agradeço o elogio, mas estou feliz do jeito que sou.
- E então, vai dividir comigo o que descobriu nessa tua investigação, disfarçada de turismo?
Teatralmente, Mulder sentou ao lado dela na cama e aproximou seu rosto do dela, como se estivesse preste a dizer algo de suma importância.
- Não estamos em fevereiro.
Scully o olhou intrigada, levantando as sobrancelhas.
- Isso deveria significar algo para mim?
Nos últimos meses, a cidade de Rachel estava fazendo jus a fama de ser um dos melhores lugares para contatos imediatos. Dezenas de relatos estavam sendo feitos às autoridades sobre: perdas de tempo, alucinação, comportamentos estranhos, clarões na noite, barulhos estranhos entre outras coisas. A Comissão de Turismo estava nas nuvens, pois o número de visitantes aficcionados por OVNIS aquecia o comercio como nunca.
Entretanto, os militares pareciam não gostar desse rebuliço, que só fez aumentar, depois da história dos jornalistas ter vazado e atribuíam os eventos estranhos à um exercício de nome Red Flag.
- Mulder, esse exercício é quando jatos ocupam o espaço aéreo, é comum terem interferência...
-Mas não neste mês. Red Flag é realizado em fevereiro.
- Como ter certeza? O Departamento de Defesa, fica pertinho daqui e eles têm jurisdição, para realizar exercícios táticos, quando...
- Já ouviu falar da Lei de Liberdade de Informação?
- Sim.
- Pois há um site o dreamlandresort.com, ele se utiliza dessa lei e todo ano os militares são obrigados a divulgar datas e horários, de exercícios desse porte. E adivinha?
- Nada programado neste período.
-Exatamente!
Repassando mentalmente tudo o que sabia sobre aquele caso, até que as insinuações dele, não parecia tão malucas. De repente, uma luz se fez em seu semblante e olhou para Mulder. Ele sorriu e ela teve a confirmação de seus pensamentos.
- O que os militares poderiam estar escondendo na montanha?
- Essa é a pergunta dos 6 milhões de dólares Scully. Segundo o dono do Little A’le’inn, Cloudy Mountain, foi uma base militar entre os anos 30 e meados dos 40. Era um local de testes ultra-secretos, mas em 1947, esses testes foram transferidos...
-Para a Área 51: O Departamento de Defesa. – concluiu arregalando os olhos.
-Correto! – disse Mulder sendo tomado por uma euforia a cada palavra. – E não é de hoje relatos de casos parecidos com o Jennifer e seus amigos. O problema é que todas as pessoas assim...
- Estão mortas! – Completou mais uma vez.
- Está lendo meu pensamento?
- Mulder, isso é obvio. Estão apagando qualquer vestígio que os culpem. Quantas pessoas morreram?
- Tem certeza que não que adivinhar? – Vendo o olhar de repreensão da parceira, começa a falar sério – Com os jornalistas são sete este ano. Dos anos trinta até hoje 28 pessoas. Fora as 22 que foram levadas para “tratamento” na base e jamais voltaram.
- E os corpos?
- Sob o pretexto de contaminação, nenhum foi devolvido aos familiares. Apenas receberam um laudo fornecido pelo médico deles. – E tirou do bolso da jaqueta uns papeis e entregou à ela.
- Dr. Anthony Bloock. – leu em voz alta e olhou para Mulder – Ele fez a autopsia dos últimos 12 casos... Nem adianta ler, a conclusão é falsa.
- Seu amiguinho...
- Então ele sabe o que está ocorrendo lá.
Mulder deu os ombros e fez uma cara de desdém.
- Isso explica a insistência dele em fazer você, parar de trabalhar comigo.
- É... – disse devolvendo a ele os papeis. – Quando subimos?
Mesmo preocupado com essa decisão de continuar, Mulder ficou aliviado, em saber que podia contar com ela naquela cruzada. Não só por precisar dela, mas caso surgisse algum imprevisto, podia socorrer Scully, coisa que não fez com Jennifer.
Pegou a sacola que tinha deixou no chão, tirou algo e jogou para ela pegar no ar.
- Sua passagem para Cloudy Mountain.
- Tá brincando? – disse olhando para a blusa que ele jogou.
Era uma blusa branca, até que bonitinha. Porém na frente tinha uma enorme cabeça de ET piscando o olho e atrás em letras garrafais os disseres: “EU ACREDITO!”, tanto o desenho como a frase estavam em tinta verde fosforescente. Ao levantar o rosto para ele viu que mostrava a ela, uma camisa do mesmo modo.
- Para subir, temos que usar. – afirmou alegre – Tivemos sorte, foram as últimas.
Scully abriu a boca para dizer algo, mas um ruído metálico extremamente agudo a fez parar. Era ensurdecedor. Ambos levaram as mãos para os ouvidos para tentar amenizar o barulho, em vão. Pela janela do quarto, surgiu uma claridade sem igual, como se o sol tivesse entrado com sua luz ofuscante e calor. Eles fecharam os olhos.
Imediatamente, ele passou o braço pelas costas de Dana e a puxou para o chão e ficaram de joelhos com o rosto para o chão. O barulho aumentava cada vez mais, assim como a luz e o calor. Era uma dor insuportável, tinha que sair dali.
Então tudo parou.
Um silêncio absoluto reinou.
Mulder abriu os olhos, sua visão ainda estava turva e pelo que conseguiu ver sua mão e braço estavam com algumas bolhas que lembravam as da Scully. Olhou para o resto do quarto, tudo parecia normal. Sentiu alguém puxando a manga de sua camisa, o braço de Dana, estava como o dele.
Levantou o olhar para ela e viu que ela mexia a boca como se estivesse falando, contudo, nenhum som saia. Scully pegou no rosto dele com as duas mãos e pela expressão estava gritando e muito preocupada, porém Mulder não escutava nada. Tinha ficado surdo.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
PRIMEIRAS CENAS DE ARQUIVO X 2.
Começou a vazar na net, algumas coisas a respeito do segundo filme.
Neste vídeo, vemos cenas do David Duchovny correndo atrás de alguém, junto da Amanda Peet, provavelmente fará a nova parceira do Mulder.
Só uma pergunta tenho:
Where is Scully?????????
Neste vídeo, vemos cenas do David Duchovny correndo atrás de alguém, junto da Amanda Peet, provavelmente fará a nova parceira do Mulder.
Só uma pergunta tenho:
Where is Scully?????????
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Cloudy Mountain : Cap 09 - Entreatos
Ao adentrar no quarto de Scully, Mulder percebeu que ela tinha jogado sua roupa pela cama, na tentativa de encontrar os laudos. Obviamente, isso não ocorreu e agora, ela estava furiosa e demonstrava uma ira pelo olhar nunca vista antes. Mesmo assim, mantinha uma certa pose.
-Como podem ter sumido? Você não me falou que tinha guardado na mala? - perguntou surpreso com o sumiço dos laudos e a bagunça.
-Mulder, laudos não somem sem explicação. Alguém os rouba. - E lançou um olhar repleto de significado a Mulder, que entendeu perfeitamente as palavras implícitas naquele olhar.
-FILHO DA P...- gritou, tendo a última palavra de seu "elogio" abafada pelo estrondo que fez, fechando a porta.
-Foi tudo de caso pensado. Eu devia ter percebido.- disse Scully com um movimento de impaciência.
-E toda aquela presteza em te ajudar com a mala...
- Não somente isso. - começou a falar, sentando na cama e ficando de costas para Mulder, um tanto pensativa. - A vontade de acompanhar-me até o teu apartamente, aquela "explosão" e o pedido de desculpas... Ele planejou cada ação.
Mulder estava completamente fora de si, mas tentou pensar da maneira mais racuonal possível. Respirou fundo e foi sentar-se ao lado da Scully e começou a falar da maneira mais calma que conseguiu.
-Acho bom ele ter um excelente plano dentário, por que quando eu o encontrar, não sobrará um dente inteiro, para contar história.
-Tony sempre...
-Ainda tem coragem de chamá-lo de assim? - Vociferou ficando em pé bruscamente.
-É o custume. - disse Scully olhando para as costas do amigo.
Mulder ao escutar a respostada dela, virou-se e passou a encará-la. E pela expressão, não achava aquela intimidade tão natural, depois do ocorrido.
-Esse cretino, usou teus sentimentos para nos enganar e roubar! E mesmo assim, você o trata por Tony?
-Não é bem assim. - tentou argumentar.
-Como não?
Definitivamente, Mulder estava indignado com a benevolência dela. Principalmente, para alguém que na opinião dele só merecia desprezo, no mínimo.
Scully por sua vez, percebeu que não adiantava ficar discutindo. Ele não iria entender. "Vou ter que mostrá-lo." Enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno objeto, com a ponta dos dedos, aquele mesmo que Anthony não quis aceitar de volta, e mostrou para Mulder.
"Só faltava essa agora!"
Mulder ficou completamente sem ação. Automaticamente, pegou das mãos de Scully o anel e sentou de volta ao seu lado. Olhando para aquela coisa tão pequena e detestável.
-Suponho que o pedido foi feito, ontem, enquanto estavam no hospital. - falou por fim.
-Sim, pouco antes da crise dos jornalistas. E além de "pedir desculpas", ele foi ao meu apartamento para que eu desistisse dos arquivos x, pois na concepção dele, estou perdendo meu tempo e com ele, eu poderia ser "grande".
- O que respondeu? - perguntou temeroso, olhando para o chão.
-Que não largaria meu trabalho, claro.
-Estou me referindo ao pedido. Você gosta dele.
- Também gosto dos meus sapatos e nem por isso me caso com eles. - disse secamente - Olha, sei que quer saber se eu o amo. A resposta é que JÁ o amei, Ton... Anthony é uma pessoa realmente apaixonada, mas tem uma busca quase cega por status e poder, sem mencionar a ambição desmedida. Essas características, nada agradáveis, acabou com qualquer sentimento. - deu um suspiro longo - Tentei devolver o anel, mas ele não quis aceitar de volta.
A medida que ia escutando Scully, a animação de Mulder foi voltando. E o peso que parecia ter no peito, desapareceu. Ao devolver o anel à ela, sua expressão era muito mais amigável.
-Fez bem ter recusado. -falou procurando disfarçar, um certo tom de euforia na voz - Odiaria ver você casada com um banquelo.
Ambos começaram a rir e se olham.
-Agradeço sua consideração, viu? - acrescentou Scully com uma voz divertida.
-Disponha parceira. - respondeu a olhando docemente. - Agora, acho melhor te ajudar a arrumar isto aqui - disse apontando para o quarto - Nunca pensei que fosse tão bagunceira.
-Parece tua casa.
Mulder imita uma risada forçada alta e fica em pé.
-Muito engraçado.
Foram preciso trinta minutos para colocar tudo em ordem.
-Pronto! - disse com um suspiro cansado Mulder, deitando-se na cama.
-Valeu mesmo pela ajuda. Agora, acho melhor você ir para seu quarto. Preciso de um banho, estou imunda. - concluiu indo até a porta que dividia o 15A e o 15B e abrindo-a.
Vagarosamente, Mulder foi indo em direção a ela.
-Sabe de uma coisa Scully? Eu também estou imundo.
Scully que tinha se encostado na porta, esperando ele passar.
-O que acha de dividirmos o chuveiro? Assim eu poderia ajudar essa mão queimada.
- Eu ia pedir exatamente isso. Nem precisava pedir.
-Então vamos! - disse Mulder que tinha parado no meio do caminho para porta e foi tirando a gravata e quando estava começando a desabotoar os botões da camisa, Scully o puxou.
-O que houve? Não quer que eu ajude tua mão?
-Claro que sim, mas com o curativo.
O sorriso que Mulder trazia mucgou um pouco e entrou de cabeça baixa em seu quarto. Deu uma última olhada para Scully.
-Tem certeza que não vai mudar de idéia?
-Tchauzinho Mulder. - Disse fechando a porta na cara dele e indo para um banheiro com um sorriso quase imperceptível.
-Como podem ter sumido? Você não me falou que tinha guardado na mala? - perguntou surpreso com o sumiço dos laudos e a bagunça.
-Mulder, laudos não somem sem explicação. Alguém os rouba. - E lançou um olhar repleto de significado a Mulder, que entendeu perfeitamente as palavras implícitas naquele olhar.
-FILHO DA P...- gritou, tendo a última palavra de seu "elogio" abafada pelo estrondo que fez, fechando a porta.
-Foi tudo de caso pensado. Eu devia ter percebido.- disse Scully com um movimento de impaciência.
-E toda aquela presteza em te ajudar com a mala...
- Não somente isso. - começou a falar, sentando na cama e ficando de costas para Mulder, um tanto pensativa. - A vontade de acompanhar-me até o teu apartamente, aquela "explosão" e o pedido de desculpas... Ele planejou cada ação.
Mulder estava completamente fora de si, mas tentou pensar da maneira mais racuonal possível. Respirou fundo e foi sentar-se ao lado da Scully e começou a falar da maneira mais calma que conseguiu.
-Acho bom ele ter um excelente plano dentário, por que quando eu o encontrar, não sobrará um dente inteiro, para contar história.
-Tony sempre...
-Ainda tem coragem de chamá-lo de assim? - Vociferou ficando em pé bruscamente.
-É o custume. - disse Scully olhando para as costas do amigo.
Mulder ao escutar a respostada dela, virou-se e passou a encará-la. E pela expressão, não achava aquela intimidade tão natural, depois do ocorrido.
-Esse cretino, usou teus sentimentos para nos enganar e roubar! E mesmo assim, você o trata por Tony?
-Não é bem assim. - tentou argumentar.
-Como não?
Definitivamente, Mulder estava indignado com a benevolência dela. Principalmente, para alguém que na opinião dele só merecia desprezo, no mínimo.
Scully por sua vez, percebeu que não adiantava ficar discutindo. Ele não iria entender. "Vou ter que mostrá-lo." Enfiou a mão no bolso e tirou um pequeno objeto, com a ponta dos dedos, aquele mesmo que Anthony não quis aceitar de volta, e mostrou para Mulder.
"Só faltava essa agora!"
Mulder ficou completamente sem ação. Automaticamente, pegou das mãos de Scully o anel e sentou de volta ao seu lado. Olhando para aquela coisa tão pequena e detestável.-Suponho que o pedido foi feito, ontem, enquanto estavam no hospital. - falou por fim.
-Sim, pouco antes da crise dos jornalistas. E além de "pedir desculpas", ele foi ao meu apartamento para que eu desistisse dos arquivos x, pois na concepção dele, estou perdendo meu tempo e com ele, eu poderia ser "grande".
- O que respondeu? - perguntou temeroso, olhando para o chão.
-Que não largaria meu trabalho, claro.
-Estou me referindo ao pedido. Você gosta dele.
- Também gosto dos meus sapatos e nem por isso me caso com eles. - disse secamente - Olha, sei que quer saber se eu o amo. A resposta é que JÁ o amei, Ton... Anthony é uma pessoa realmente apaixonada, mas tem uma busca quase cega por status e poder, sem mencionar a ambição desmedida. Essas características, nada agradáveis, acabou com qualquer sentimento. - deu um suspiro longo - Tentei devolver o anel, mas ele não quis aceitar de volta.
A medida que ia escutando Scully, a animação de Mulder foi voltando. E o peso que parecia ter no peito, desapareceu. Ao devolver o anel à ela, sua expressão era muito mais amigável.
-Fez bem ter recusado. -falou procurando disfarçar, um certo tom de euforia na voz - Odiaria ver você casada com um banquelo.
Ambos começaram a rir e se olham.
-Agradeço sua consideração, viu? - acrescentou Scully com uma voz divertida.
-Disponha parceira. - respondeu a olhando docemente. - Agora, acho melhor te ajudar a arrumar isto aqui - disse apontando para o quarto - Nunca pensei que fosse tão bagunceira.
-Parece tua casa.
Mulder imita uma risada forçada alta e fica em pé.
-Muito engraçado.
Foram preciso trinta minutos para colocar tudo em ordem.
-Pronto! - disse com um suspiro cansado Mulder, deitando-se na cama.
-Valeu mesmo pela ajuda. Agora, acho melhor você ir para seu quarto. Preciso de um banho, estou imunda. - concluiu indo até a porta que dividia o 15A e o 15B e abrindo-a.
Vagarosamente, Mulder foi indo em direção a ela.
-Sabe de uma coisa Scully? Eu também estou imundo.
Scully que tinha se encostado na porta, esperando ele passar.
-O que acha de dividirmos o chuveiro? Assim eu poderia ajudar essa mão queimada.
- Eu ia pedir exatamente isso. Nem precisava pedir.
-Então vamos! - disse Mulder que tinha parado no meio do caminho para porta e foi tirando a gravata e quando estava começando a desabotoar os botões da camisa, Scully o puxou.
-O que houve? Não quer que eu ajude tua mão?
-Claro que sim, mas com o curativo.
O sorriso que Mulder trazia mucgou um pouco e entrou de cabeça baixa em seu quarto. Deu uma última olhada para Scully.
-Tem certeza que não vai mudar de idéia?
-Tchauzinho Mulder. - Disse fechando a porta na cara dele e indo para um banheiro com um sorriso quase imperceptível.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Primeiras fotos de Arquivo X 2!
Deste os dia 10, eXcers andam em polvorosa. Tudo por causa da ausência da Gillian Anderson, nos sets. Muito andam se especulando, uma dos boatos mais passados é de que Amanda Peet, essa da foto com o David Duchovny, seria a nova parcera de Mulder.
E ainda tem outro pior: Scully morrerá num acidente de carro, que começou a ser filmado segunda.
Calma...
São especulações como mencionei.
Deixo, vocês com apenas 2 fotos. As outras, são apenas repetições.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Cloudy Mountain: Cap 8 - 15A e 15B
Viagens de carro são sempre cansativas e aquela estava sendo uma. Mulder dirigia no limite da velocidade permitida, não ligando para os olhares de desaprovação que Scully lançava uma vez por outra, queria chegar logo ao seu destino e revisar os laudos...

-OS LAUDOS! - gritou Mulder, freando bruscamente e assustando Scully.
O motorista que vinha atrás também assustou-se e virou com tudo o carro para o acostamento, rodopiando duas vezes. Recuperando o controle do volante, voltou a pista e ao ultrapassar Mulder e Scully, mostrou seu dedo num gesto nada educado e um repertório de palavrões.
-Droga Mulder, ficou maluco!-exclamou Scully, passando a mão no pescoço. Mas ele parecia não escutar e tinha uma expressão, bastante aflita.
-Scully os laudos! Temos que revisá-los e eu esqueci de avisar a você...
-Mas eu os trouxe, estão na minha mala. -disse secamente- Podia ter perguntado, em vez de tentar nos matar.
Um tanto envergonhado com sua atitude impulsiva, deu partida no carro e voltaram à estrada.
-Desculpa -disse Mulder após um tempo em silêncio- é que com o "Dr. Sorriso" na tua cola, achei que pudesse ter esquecido.
-Achou errado. Sei o quanto este caso está sendo importante para você, principalmente, depois do que ocorreu com sua amiga e os amigos dela.
-E a você.- completou.
-Não devia se martirizar Mulder, a culpa não é sua. - Ele riu sinicamente.
-Eu escrevi para o diretor do jornal onde Jennifer trabalha, anonimamente, informando-o sobre as coisas sem explicação, que andam ocorrendo em Cloudy Mountain. Obviamente, eu não sabia que ela trabalhava lá, só fui saber quando recebi o telefonema dela no domingo... E você teve a mão queimada, por que eu, EU a coloquei neste caso - deu um longo suspiro- Ainda acha que sou inocente?
Ao escutar esse desabafo, Scully percebeu que seu amigo estava com uma expressão, realmente, preocupada e em cada palavra que ele proferiu, parecia ter o peso do mundo. Sem muito pensar, ela levou sua mão com o curativo, às bochechas dele e com as costas dos dedos o acariciou.
-Não compete a mim, achar que é culpado. O que aconteceu comigo, com Jennifer e aos amigos dela, foi apenas um "acidente de trabalho".
Mulder pegou cuidadosamente a mão dela e desviou seu olhar da estrada à ela, que também o olhava.
-Obrigado.- disse soltando-a.
Quando voltou sua atenção para a estrada viu algo que o animou.

- Chegamos à Rodovia Estadual 375! - tirou do bolso o mapa que tinha desenhado- Agora falta pouco. Sabia que ela é conhecida como a "estrada extraterrestre", deste 1996?
-Se você diz.- falou Scully sorrindo.
Quase uma hora depois, chegaram enfim, na pousada, cuja entrada era de costas para o Rodovia que corta a cidade de Rachel. O estacionamento de terra estava lotado e a custo, Mulder encontrou uma vaga. O sol brilhante deixava o lugar ainda mais estranho, mal havia nuvens no céu.
- Viu a áerea 51 Scully? - perguntou saindo do carro.
- Está falando daquelas pistas de pouso secretas, do Departamento de Defesa? - retrucou, também saindo do carro - Sim, eu vi.
A pousada tinha 3 andares e sua arquitetura lembrava aqueles saloon de filmes Western. Na frente havia uma grande varanda e atrás, de frente para a rodovia, um grande letreiro com o nome...
-Lu...zes Faíscan...tes - leu Scully.
-É em português, quer dizer "luz forte, que brilha". Os donos devem ser brasileiros. - explicou Mulder retirando a bagagem.
-Não sabia que era poliglota Mulder- divertiu-se.
-E não sou. Mas Jennifer sabia falar perfeitamente o português e me ensinou algumas coisas. Ela cresceu no Brasil, e só depois voltou para os Estados Unidos, fazer faculdade, exigência dos pais ...
Scully que olhava a paisagem a sua volta,principalmente, uma cadeia de montanhas à nordeste, resmungou um "legal". Quando voltou a olhar Mulder, não deixou de achar graça. Ele estava com duas mochilas que alpinistas usam, uma nas costas e a outra no braço, tinha uma bolsa pendurada no seu pescoço e em cada mão uma mala.
-Scully, pode ir na frente e abrir a porta? Estou um pouco cheio.
Entrando no rol da pousada, a decoração era simples, a única coisa estranha, era os vários retratos de OVINI'S que enfeitavam as paredes. Havia também, várias pessoas vestidas com camisas ilustradas por grandes cabeças de et's verdes.
-Alguma coisa me diz que você, está se sentindo em casa Mulder.
-Com certeza - respondeu com um suspiro, por causa do peso que levava. Chegando à recepção, Scully tocou a sineta. Fazendo um rapaz vestido um uniforme, sair de baixo do balcão.
-Desculpe, mais os quartos que temos, já estão reservados.- avisou educadamente.
-Temos duas reservas, no nome de Mulder e Scully.
- Posso ver a identificação de vocês? - perguntou indo ao computador que tinha duas antenas de alienígena.
-Claro- disse Mulder- Scully, pode me dá uma mãozinha? - Ela tirou do bolso, de dentro de seu palitó, a credêncial do FBI e de seu próprio bolso, o documento dela e mostrou.
O rapaz arregalou os olhos.
-Então o FBI, está interessado em nossa montanha?
Mulder e Scully trocam olhares.
-Na verdade... estamos aqui para salvar nosso relacionamento - disse Mulder, fazendo Scully o olhar surpresa, mas ele continuou - Sabe como é, o trabalho está acabando com nossa paixão, então quem sabe "nossos amigos do espaço", não nós ajudam?... Querida, não precisa se envergonhar, todo casal passa por esta fase.
-Bom, espero que se entendam... aqui estão os documentos de vocês e as chaves. Segundo andar, quartos 15 A e 15B. - Scully, quardou as credênciais e foi em direção ao elevador fuzilando seu parceiro, com o olhar. Antes que Mulder pudesse acompanhá-la, o rapaz do balcão o chamou.
- Esse quarto que dei a vocês, são ligados por uma porta. Boa sorte!- e piscou.
Ao chegar aos quartos 15A e 15B, Scully abre a porta do primeiro e deu passagem para Mulder entrar com as bagagens. Ele jogou tudo no chão e pegando apenas a bolsa e a mala de Scully, foi colocá-las na cama.
Voltou para a porta e pegou as coisas dele próprio, mas em vez de sair, foi em direção a uma porta de tinha na parede esquerda.
-Mulder a saída é aqui. - avisou Scully.
-Conheço um atalho.- abriu a porta e entrou no 15B.
Seu quarto era exatamente igual ao de Scully, uma grande cama, quarda-roupa, fotos de aparições de OVNI'S, e uma janela que dava para a frente do restaurante Little A'Le'inn.
Jogou as coisas pelo chão mesmo, tirou a palitó, afrouxou a gravata com desenhos de marcianos, tirou os sapatos e pulou com tudo na cama.
Era bem macia, levou as mãos à cabeça...
-MUUUUULLDEEERRRRRR!!!!!- Era a voz de Scully. Num movimento brusco fazendo-o cair da cama, ele saiu com tudo em direção a porta e entrou no quarto dela.
-O QUE FOI?- gritou sem fôlego.
Scully,tinha revirado toda sua mala e estava lívida de ódio.
- Os laudos sumiram.
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terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Cloudy Mountain : Cap 07 - Do silêncio à risada.
"Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante Gordon. Gostaria de informar a todos que tivemos uma decolagem perfeita e que logo estaremos chegando, ao Aeroporto Internacional McCarran em Las Vegas, Nevada. Mas enquanto isso não ocorre, nós da Flying Air Lines, temos o prazer de passar um excelente filme de ficção-científica. E podem retirar o cinto, viu?. Agradecemos pela preferência."
Todos os passageiros do avião, após esse trivial papo, retiraram seus cintos. Inclusive Mulder e Scully, que por sua vez, não precisou de ajuda desta vez. Ambos não estavam se falando e nem pareciam estar dispostos a isso. Scully estava sentada na poltrona, absorta em seus pensamentos e também cansada, afinal, mal dormiu nas últimas 48h. Mulder por sua vez, estava olhando o chão do corredor, batucando com as mãos no joelho, num ritmo qualquer.
Porém, de repente, lembrou-se de algo.
-Scully, no hospital, quando estávamos saindo do elevador. Você falou que tinha algo para me contar, pois "cedo ou mais tarde" eu iria descobrir. Não me contou lá, por que "não era o lugar apropriado"... Pode falar agora? - perguntou sem olhá-la.
Silêncio.
-Pode me contar? - voltou a perguntar. Novamente, não obteve resposta e começou a ficar irritado com a forma de como estava sendo ignorado.- Ei Scully, vai me contar ou não?- Perguntou mais uma vez com a voz irritada e virando-se em direção a ela. Contudo, ao olhá-la ficou sem graça. Ela estava dormindo.
Cuidadosamente, Mulder regulou a poltrona de Scully, a fazendo ficar meio deitada. Levantou o braço que dividia a poltrona de ambos, para que dormindo, ela não machucasse a mão queimada e ficou por um tempo a olhando.
-Desculpa por colocar você nisso - sussurou, passando suavemente sua mão nos cabelos de Scully.
-Precisa de alguma coisa senhor?- indagou à aeromoça passando com um carrinho.
-Não... Peraí. Qual filme vocês vão passar? - quis saber.
-Independence Day. Um ótimo filme.
-Com certeza- respondeu desanimado.
-Senhor... senhor... - Mulder escutou uma voz muito longe e sentiu um peso em cima dele- Vamos aterrisar em 10min.
-Quê...? - bocejou.
-É melhor o senhor e sua esposa acordarem, pois vamos aterrisar em 10 min - repetiu à aeromoça e saiu.
"Esposa?", pensou Mulder. Mas ao abrir os olhos entendeu o motivo daquela palavra.
Quando começou a passar o filme Mulder, resolveu regular sua poltrona, como tinha feito antes com a da Scully. E assim como ela, acabou dormindo. -Até aí, tudo certo. Mas não explica o "esposa" que ouvimos.
Acontece é que Scully, ao mexer-se dormindo, pousou sua cabeça no ombro direito dele e seu braço esquerdo, sobre o peito de Mulder, que num reflexo ou talvez, num instinto de protegê-la, a abraçou.
-Scully...- chamou baixinho, sentindo o perfume do shampoo dela- Dá para sair de cima de mim?
-Cima de onde...?- quis saber ainda sonolenta, ao perceber aonde estava dormindo, Scully sai de cima dele rapidamente e muito sem jeito. - Mulder não foi minha intenção...
-Me fazer de travesseiro? - completou regulando corretamente a poltrona de ambos. Ao ajeitar o cinto da cadeira de Scully, percebe que ela estava calada como antes.- Tudo bem. Pode me fazer de travesseiro quando quiser.
Ambos sorriram fazendo o "climinha" de antes sumir.
-Qual filme passaram? - quis saber Scully.
-Independence Day.
-Então esse o motivo.
-Motivo de quê?
- De ter "babado" no meu cabelo.
Ao desembargarem no Aeroporto Internacional McCarran e pegarem suas bagagens. Ambos partem para Rachel, num carro alugado.
-Tem certeza que não era melhor, pegar um taxi?- perguntou Scully, olhando desconfiada Mulder dirigindo.
-Cadê teu espírito aventureiro Scully?
-Acho que ele não me acompanha, quando você dirigi.- disse ollhando para a janela e depois para ele- Tem certeza que sabe o caminho?
-Fica fria. Nós estamos na Paradise Road. Mais na frente, nós iramos à esquerda, andamos mais um pouco e depois a direita subindo, depois a esquerda novamente. Entramos em mais umas ruas à esquerda...
-Com essa sua demostração de conhecimento é para eu me acalmar?
-Chegando à Rodovia Estadual 375, fica fácil. Chegaremos em Rachel, em aproximadamente 3h e 40min. Eu fiz até um mapa, olha.- Aproveitando que tinha parado num sinal, tira um papel dobrado do bolso e entrega a ela. Ao abrir o papel, Scully solta uma forte gargalhada, assustando ele.
-Que foi? Scully...- Mas ela não parou. Na verdade, foi só depois de vários "Que foi?" que ela veio a se acalmar.
-De que escola primária, você roubou isso? - Perguntou mais calma, soltando risinhos frouxos.
-Eu desenhei, enquanto estava parado no trânsito a caminho de tua casa. E nem está tão ruim assim...
Scully olhou mais uma vez o mapa e uma explosão de gargalhadas voltou a acontecer no carrro.
-O quem são esses dois bonecos playmobil?
-Somos nós.- revelou, fazendo Scully rir ainda mais alto. Mulder tomou o mapa da mão dela - Não sabe valorizar um artista.
-Pára... pára...- falou enxugando os olhos- Até chorei... - E voltou a rir copiosamente.
Mulder estava se enchendo dessa crise de Scully.
-Então, você e o Tony voltaram?
Scully imediatamente pára de rir e o olha sério e foi olhar a janela.
-O que houve com vocês?
-Nada além de uma forte atração. É só o que há, entre nós. -Mulder ficou em silêncio, refletindo se realmente gostou da resposta que provocou.
-Falando assim, até parece que atração entre duas pessoas é ruim.
-Mas não é o suficiente para uma relação.- Scully lançou uma olhadela a Mulder - Sem falar que Tony jamais me faria rir como você.
-E isso é importante?- indagou desanamado.
-Para mim é. - respondeu olhando para fora do carro e não vendo o enorme sorriso que se formou no rosto de Mulder. - E você e a Jennifer, não deu certo porquê?
-Entre nós, não havia a cumplicidade e a confiança que tenho com você.
Naquele momento, Mulder e Scully se olham.
-Somos bons agentes, mas péssimos em escolher companheiros. - disse Scully.
Todos os passageiros do avião, após esse trivial papo, retiraram seus cintos. Inclusive Mulder e Scully, que por sua vez, não precisou de ajuda desta vez. Ambos não estavam se falando e nem pareciam estar dispostos a isso. Scully estava sentada na poltrona, absorta em seus pensamentos e também cansada, afinal, mal dormiu nas últimas 48h. Mulder por sua vez, estava olhando o chão do corredor, batucando com as mãos no joelho, num ritmo qualquer.
Porém, de repente, lembrou-se de algo.
-Scully, no hospital, quando estávamos saindo do elevador. Você falou que tinha algo para me contar, pois "cedo ou mais tarde" eu iria descobrir. Não me contou lá, por que "não era o lugar apropriado"... Pode falar agora? - perguntou sem olhá-la.
Silêncio.
-Pode me contar? - voltou a perguntar. Novamente, não obteve resposta e começou a ficar irritado com a forma de como estava sendo ignorado.- Ei Scully, vai me contar ou não?- Perguntou mais uma vez com a voz irritada e virando-se em direção a ela. Contudo, ao olhá-la ficou sem graça. Ela estava dormindo.
Cuidadosamente, Mulder regulou a poltrona de Scully, a fazendo ficar meio deitada. Levantou o braço que dividia a poltrona de ambos, para que dormindo, ela não machucasse a mão queimada e ficou por um tempo a olhando.
-Desculpa por colocar você nisso - sussurou, passando suavemente sua mão nos cabelos de Scully.
-Precisa de alguma coisa senhor?- indagou à aeromoça passando com um carrinho.
-Não... Peraí. Qual filme vocês vão passar? - quis saber.
-Independence Day. Um ótimo filme.
-Com certeza- respondeu desanimado.
-Senhor... senhor... - Mulder escutou uma voz muito longe e sentiu um peso em cima dele- Vamos aterrisar em 10min.
-Quê...? - bocejou.
-É melhor o senhor e sua esposa acordarem, pois vamos aterrisar em 10 min - repetiu à aeromoça e saiu.
"Esposa?", pensou Mulder. Mas ao abrir os olhos entendeu o motivo daquela palavra.
Quando começou a passar o filme Mulder, resolveu regular sua poltrona, como tinha feito antes com a da Scully. E assim como ela, acabou dormindo. -Até aí, tudo certo. Mas não explica o "esposa" que ouvimos.
Acontece é que Scully, ao mexer-se dormindo, pousou sua cabeça no ombro direito dele e seu braço esquerdo, sobre o peito de Mulder, que num reflexo ou talvez, num instinto de protegê-la, a abraçou.
-Scully...- chamou baixinho, sentindo o perfume do shampoo dela- Dá para sair de cima de mim?
-Cima de onde...?- quis saber ainda sonolenta, ao perceber aonde estava dormindo, Scully sai de cima dele rapidamente e muito sem jeito. - Mulder não foi minha intenção...
-Me fazer de travesseiro? - completou regulando corretamente a poltrona de ambos. Ao ajeitar o cinto da cadeira de Scully, percebe que ela estava calada como antes.- Tudo bem. Pode me fazer de travesseiro quando quiser.
Ambos sorriram fazendo o "climinha" de antes sumir.
-Qual filme passaram? - quis saber Scully.
-Independence Day.
-Então esse o motivo.
-Motivo de quê?
- De ter "babado" no meu cabelo.
Ao desembargarem no Aeroporto Internacional McCarran e pegarem suas bagagens. Ambos partem para Rachel, num carro alugado.
-Tem certeza que não era melhor, pegar um taxi?- perguntou Scully, olhando desconfiada Mulder dirigindo.
-Cadê teu espírito aventureiro Scully?
-Acho que ele não me acompanha, quando você dirigi.- disse ollhando para a janela e depois para ele- Tem certeza que sabe o caminho?
-Fica fria. Nós estamos na Paradise Road. Mais na frente, nós iramos à esquerda, andamos mais um pouco e depois a direita subindo, depois a esquerda novamente. Entramos em mais umas ruas à esquerda...
-Com essa sua demostração de conhecimento é para eu me acalmar?
-Chegando à Rodovia Estadual 375, fica fácil. Chegaremos em Rachel, em aproximadamente 3h e 40min. Eu fiz até um mapa, olha.- Aproveitando que tinha parado num sinal, tira um papel dobrado do bolso e entrega a ela. Ao abrir o papel, Scully solta uma forte gargalhada, assustando ele.

-Que foi? Scully...- Mas ela não parou. Na verdade, foi só depois de vários "Que foi?" que ela veio a se acalmar.
-De que escola primária, você roubou isso? - Perguntou mais calma, soltando risinhos frouxos.
-Eu desenhei, enquanto estava parado no trânsito a caminho de tua casa. E nem está tão ruim assim...
Scully olhou mais uma vez o mapa e uma explosão de gargalhadas voltou a acontecer no carrro.
-O quem são esses dois bonecos playmobil?
-Somos nós.- revelou, fazendo Scully rir ainda mais alto. Mulder tomou o mapa da mão dela - Não sabe valorizar um artista.
-Pára... pára...- falou enxugando os olhos- Até chorei... - E voltou a rir copiosamente.
Mulder estava se enchendo dessa crise de Scully.
-Então, você e o Tony voltaram?
Scully imediatamente pára de rir e o olha sério e foi olhar a janela.
-O que houve com vocês?
-Nada além de uma forte atração. É só o que há, entre nós. -Mulder ficou em silêncio, refletindo se realmente gostou da resposta que provocou.
-Falando assim, até parece que atração entre duas pessoas é ruim.
-Mas não é o suficiente para uma relação.- Scully lançou uma olhadela a Mulder - Sem falar que Tony jamais me faria rir como você.
-E isso é importante?- indagou desanamado.
-Para mim é. - respondeu olhando para fora do carro e não vendo o enorme sorriso que se formou no rosto de Mulder. - E você e a Jennifer, não deu certo porquê?
-Entre nós, não havia a cumplicidade e a confiança que tenho com você.
Naquele momento, Mulder e Scully se olham.
-Somos bons agentes, mas péssimos em escolher companheiros. - disse Scully.
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